Segunda-feira, Maio 07, 2012

Biblioteca solidária maio 2012

Chegou o frio e com ele a Biblioteca solidária do tio Maurilo. A ideia é a mesma. Vendo os livros que já li (e tem dois da Fernanda também) ao preço de um cobertor. Você pode pagar em cobertor ou em dinheiro: só 10 reais.

E pra completar, estou vendendo meus livros infantis Esse Bicho Virou História e Na Horta, no Jardim, No Quintal ao preço de 10 reais + um cobertor (ou 20 reais).

O funcionamento é o mesmo: quem mandar primeiro o email para mauriloandreas@gmail.com garante o livro, sem chororô. Pelo Facebook, pelo blog ou pelo twitter não vale.

Chega de papo e segue a lista:

A cabana – William P. Young
Momo e o senhor do tempo – Michael Ende
Agora é que são elas – Paulo Leminski
O romancista ingênuo e o sentimental – Orhan Pamuk
Milarepa – Eric-Emmanuel Schmitt
As pequenas memórias – José Saramago
Expedição ao inverno – Aharon Appelfeld
La ley de la ferocidad – Pablo Ramos
Romance sem palavras – Carlos Heitor Cony
A escalada – Anatoli Boukreev / G. Weston DeWalt
Azul – Rubén Darío
Submarino – Joe Dunthorne
Fala, amendoeira – Carlos Drummond de Andrade
O clube do suicídio – Robert Louis Stevenson
Steve Jobs – Walter Isaacson
Desonra – J. M. Coetzee
A máquina de fazer espanhóis – Valter Hugo Mãe
Nova York – Will Eisner
Sandman (Noites sem fim) – Neil Gaiman
Nada me faltará – Lourenço Mutarelli
Inconfidências de uma adolescente – Marcita Coelho
O galo músico – Fernando Sabino
Amores guardados – Lêda Couto
Sinal e ruído – Neil Gaiman
A comédia trágica ou a tragédia cômica de Mr. Punch – Neil Gaiman
Slam – Nick Hornby
Pequeñas intenciones – Jorge Consiglio




Direto na têmpora: Do you - Portugal The Man

Quinta-feira, Maio 03, 2012

Pode acontecer

Pode acontecer, sem aviso ou motivo aparente, que tudo aquilo que nos separa se transforme precisamente naquilo que nos une.

E assim, entre perplexos e ausentes, sentimos que nossas verdades valem nada, que nossas certezas são risíveis, que é preciso entender que a mudança do outro corre paralela à nossa e que é infinita a chance de nos encontrarmos. Por infinitos motivos, em infinitos momentos.

Basta não olhar o passado, basta fazer parte do acaso, basta estar solto e leve como quem não espera. E aí o oceano que separa passa a ser a vasta água que conecta.

E ódio se esvai, líquido pelo ralo.




Direto na têmpora: Always new depths - Bloc Party

Terça-feira, Abril 24, 2012

Esse cara aí do seu lado.

Esse cara aí do seu lado come wasabi com pão.

Esse cara aí do seu lado batia muito na irmã.

Esse cara aí do seu lado já namorou o meu chefe.

Esse cara aí do seu lado já levantou, agora é outro.

Esse cara aí do seu lado tem alergia a perfume.

Esse cara aí do seu lado arranhou o carro da Dona Célia.

Esse cara aí do seu lado eu nunca vi antes.

Esse cara aí do seu lado tem o maior jeito de pintor.

Esse cara aí do seu lado tava naquela festa.

Esse cara aí do seu lado tava naquele enterro.

Esse cara aí do seu lado é aquele que você falou?

Esse cara aí do seu lado tem cara de corno.

Esse cara aí do seu lado.

Todo cara aí do seu lado.

E aquele ali mais na frente também.



Direto na têmpora: Crash years - The New Pornographers

Quinta-feira, Abril 12, 2012

A gente se encontra

A gente se encontra na internet. É impossível calcular o número de amigos com os quais retomei contato e pessoas novas que passei a conhecer e admirar por causa da internet.

Você que não nasceu analógico como eu, não sabe a diferença que isso faz. Não sabe o que é falarolhando nos olhos e instantaneamente ao invés de mandar uma carta e não sabe o que é encontrar alguém que, sem a internet, teria 99,99999% de chances de nunca fazer parte da sua caminhada.

Tudo isso para dizer que Rudolf Reimerink buscou por "Musetti" no Google e chegou ao Pastelzinho. Ele se apresentou como amigo de infância do meu pai e dos meus tios e desde então retomou contato com eles e passou a me conhecer também.

Pois outro dia contei no Pastelzinho como me lembrava com saudades do Sujismundo e como o apresentei para a minha Sophia, que simplesmente adorou. É aí que volta à cena o Rudolf Reimerink, amigo do meu pai. Alguém que, sem nunca ter conhecido pessoalmente eu ou Sophia, resolver nos presentear gcom uma ilustração do Sujismundo original e assinada pelo seu criador Ruy Perotti.

Uma relíquia de 1973 que deixa uma alegria enorme de saber que a internet significa muita coisa, mas que ela vale a pena mesmo quando é amplificador do que a gente tem de bom.

Muito obrigado, Rudolf. Eu, Fernanda e Sophia adoramos.






Direto na têmpora: Myriad harbour - The New Pornographers

Quinta-feira, Abril 05, 2012

Sua mão que me guia

Os antigos navegantes aprenderam a ler as estrelas para chegar. Nunca se estava irremediavelmente perdido enquanto sobre sua cabeça houvesse um céu e dentro dela uma esperança.

Hoje é mais fácil perder-se, mesmo com aparelhos, mapas, computadores, satélites. Em algum momento deixamos de olhar para o céu sobre nossas cabeças. Em algum momento nos abandonou a esperança.

E assim começamos a criar nossas próprias estrelas, que podem ter a forma de um sonho, de uma paixão ou simplesmente de duas mãos.

Duas pequenas mãos que seguram as minhas e me guiam por um mundo cada vez mais escuro em que já não me enxergo.

Duas mãos e um sorriso.

Duas mãos e mil cachos.

Duas mãos e um coração.

Duas mãos e o nome Sophia: minha filha, minha vida, minha estrela, meu guia.




Direto na têmpora: The other side of zero - Elizabeth & The Catapult

Quarta-feira, Abril 04, 2012

Inimigo meu

Inimigo meu, fiques tranquilo que não te desejo o pior em todos os dias e nem sequer uma morte dolorosa e lenta. Não sou desses, embora fale como esses.

A verdade, inimigo meu, é que tampouco te desejo sucesso, alegria e saúde. Apenas pensei em ti porque me faltava assunto para escrever e eu, que tanto já falei sobre a amizade, hoje tive um gosto de variar.

Mas se quase não penso em ti, o que desejo afinal? Uma saudável distância, a paz de jamais rever-te e a esperança de que o teu caminho, qualquer que seja, nada tenha que ver com o meu.

Pouco me importa o que te venha a suceder, inimigo meu, e assim é melhor.

De resto, mantenho o compromisso de viver, lutar, ser feliz e errar como sempre fiz, preferencialmente sem que tenhas absolutamente nada a ver com isso.

E a ti, nada além da vida que mereças.




Direto na têmpora: Walking with a ghost - The National Fanfare Of Kadebostany

Quarta-feira, Março 28, 2012

Queen

Eu era muito fã de Queen desde os meus 7 anos de idade. Enquanto em casa meus pais ouviam muita música clássica, Chico Buarque e MPB (o que era ótimo), foi através do "tio" Ernesto, nosso vizinho, que eu me aprofundei mais em Queen.

É claro que We Are The Champions, We Will Rock You e outras já rolavam na rádio, mas eu ainda me lembro de escutar o News Of The World inteiro emprestado através do Guga, filho do "tio" Ernesto e um dos primeiros amigos que fiz na minha vida.

Eu me lembro do lançamento do Jazz, em 78 quando tinha apenas 7 anos e de pirar com Don't Stop Me Now e Fat Bottomed Girls enquanto descobria Bohemian Rhapsody, Somebody to Love e outros clássicos mais antigos.

Depois veio The Game, com Crazy Little Thing Called Love, Play The Game e Another One Bites The Dust, seguido pela trilha do filme Flash Gordon. Eu tinha 9 anos e a vida era boa para quem curtia o Queen.

Em 82 veio o Hot Space e, apesar de Under Pressure ser uma das coisas mais incríveis que eu já tinha ouvido, além dela apenas Life is Real e Las Palabras de Amor se destacavam em um disco que estava abaixo do que se esperava do Queen.

Com 13 anos recebi o The Works com desconfiança. Radio Gaga e I Want To Break Free eram hits, mas talvez pop demais para mim na época. Foi o último disco que comprei do Queen.

Ainda assim, vi o show mais importante e sensacional da minha vida em 11 de janeiro de 1985, ainda com 13 anos: Queen no Rock in Rio. Uma experiência alucinante e inesquecível.

Daí em diante acompanhei o Queen com certa distância, vibrando com as poucas músicas novas de que gostava, mas sem comprar discos ou me envolver demais. De uma certa forma era como se aquela banda tivesse quabrado minhas ilusões sobre amor eterno e a infalibilidade humana.

O tempo passou, chorei quando Freddie Mercury morreu e continuei curtindo o velho Queen que foi tão marcante na minha vida.

Uma paixão que continua hoje através da Sophia e que me faz fechar os vidros do carro quando estou dirigindo, colocar Spread Your Wings ou Somebody To Love no máximo volume e cantar desafinada e incontrolavelmente como se estivesse ainda no final dos anos 70, descobrindo a paixão musical de uma vida.




Direto na têmpora: Brighton Rock - Queen